29.11.05

OS TINCOÃS - 1973

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Alucinei. Fiquei de graça quando ouvi, compadre. No recôncavo, precisamente em Cachoeira, nasceram estas figuraças que valorizaram as músicas de raízes africanas e o candomblé. Formado inicialmente por Dadinho, Mateus e Heraldo o grupo mandou ver na década de 70, mas começou a se apresentar em programas de tv e rádio uma década antes cantando boleros.

Eu sou péssimo pra fazer comentários, então só ouvindo mesmo. Quem tiver algum interesse é só mandar um email e eu mando os álbuns em formado mp3. Aproveitem enquanto eu estou de boa vontade. Dei um pau da porra pra consegui estes discos.

3.11.05

EXISTE CERVEJA APÓS A MORTE

Era mais um daqueles domingos. Comendo água. Conversando e bebendo fiado. E nisso lá vai a vida dos outros, o time que vai descer, qual o político que roubou mais e se o churrasco tinha alguma coisa com a tal da aftosa. Tava na casa de meu tio e pedi pra ver se o jogo tinha começado. Alguém foi conferir e dei de cara com o Faustão. Porra! Só pra me lembrar que nada mudou e que a segunda vinha por aí. Mais dois copos e deixa aquele programa escroto pra lá. De repente, alguém chama meu tio e ele sai com mais dois da família. A cerveja não me deixou desconfiar de nada. Até pensei que ela tinha acabado e eles foram comprar mais. Demorou nada e eles voltam com uma informação estampada na cara e que só eu não conseguir ler: alguém da família tinha morrido.

As reações foram as esperadas. Não aceito, não tá certo, por que isso foi acontecer logo com ele e por aí vai. Quase todo mundo diz isso quando alguém mais chegado bate a caçoleta. Não é fácil, meu irmão. O cara tava ali, trocando idéia com você e de uma hora pra outra, um abraço. Eu não conhecia, mas todos diziam que era um cara legal. Embora isto seja muito suspeito, pois quase todos que morrem ficam legais. Então eu pensei que o domingo já era, mesmo antes da vinheta do Fantástico - que soa em meus ouvidos como um toque de recolher.

Do nada, alguém, sob o efeito do álcool, arriscadamente soltou em meio ao sofrimento geral: “Porra, eu sei que o momento não é bom pra dizer isso, mas o que aconteceu serve pra mostrar que a gente tem que aproveitar tudo que pode enquanto está vivo, porque depois...”. Minutos de silêncio, inclusive do corajoso que filosofou. Aí meu tio disse: “É isso mesmo. Vamo aproveitar e continuar bebendo”. Foi a senha pra galera se tocar que a vida e a cerveja não tinham acabado.

É de lenhar que não aprendemos a lidar com o inevitável. Muitos embarcam cedo demais e isto chateia. Mas não adianta. Quem morreu podia ter 150 anos, que mesmo assim é motivo de chororô e “eu também quero ir junto”. Fico pensando se um dia vamos aceitar melhor a hora de comer capim pela raiz. Tentar pelo menos imaginar que a vida não seja apenas esta com aluguel, CPI, Revista Veja, horário político e balcão BPN. E pensar que a morte não é algo tão ruim assim. Um dia, Faustão também vai morrer.