O CINEMA NUNCA FOI PRETO E BRANCO
Fui a uma das “Quartas Baianas” – sessões de filmes, curtas e documentários baianos – que rolam obviamente às quartas-feiras na Sala Walter da Silveira. Depois das projeções, um raro momento proposto por um dos organizadores para discutirmos o que tínhamos assistido. Raro, porque por aqui isto não rola. Normalmente as produções locais são assistidas por amigos e parentes dos produtores e tudo que acontece ao final são a rasgação-de-seda, os aplausos e o velho conhecido uuhuuuuuuhhh!!!!. Se for de alguém que já morreu, bastam aparecer os créditos para que várias cabeças se levantem na frente da tela e todo mundo parta a mil.
Pedem sempre a palavra figuras estereotipadas que parecem personagens e figurantes do musical Hair. Análises e falações enredadas muito mais complexas que os próprios filmes e, não pode deixar de faltar, o choro por falta de verbas e apóio. No meio de toda verborréia, um comentário que me fez acordar do sono que me dominava. Alguém (do filme Hair) disse entusiasticamente que com o aparecimento de novas tecnologias e barateamento de muitos equipamentos, todos poderiam fazer cinema. O comentário pareceu agradar e nenhuma voz ou movimento que parecesse destoar de tão generosa observação. Ainda acordava e olhei para todos os lados e para todos. Apesar da pouca luminosidade pude perceber características comuns a todos que ali estavam e ainda meio indolente gritei como um louco: O CINEMA NUNCA FOI PRETO E BRANCO! Assustados, todos que ali estavam retornaram da dimensão de onde estavam e voltaram os olhares para mim. Antes das críticas e questionamentos diante de afirmação tão sui generis e insipiente, completei: SEMPRE FOI BRANCO MESMO!
Depois, completamente acordado, percebi a literal queimação de filme. Parece que todos entenderam o que eu quis dizer, mas isto não estava no roteiro. Estava tão bom com todos ficcionando a realidade. Eu achando o preço do ingresso caro para assistir a um filmizinho no Multiplex e a rapaziada achando massa a socialização da sétima arte. Agora qualquer negro, pobre e que não tem o figurino de Hair pode fazer cinema. Até Spike Lee lá nos “isteites” foi lembrado para justificar a sacanagem. Continuaram as exposições de pontos de vistas para impressionar, mas sem jamais tocar em assuntos nos quais todos tinham sua boa e velha parcela de culpa.
Lembro de um espaço no bairro da Liberdade chamado Arte de Negro. Samba, pagode, percussão era o que rolava e estas foram as únicas artes que achava, na minha adolescência, que eram de negros. Não imaginava os irmãos com uma câmera no lugar de um tambor. O cinema é belo, intrigante e escroto. Deixa para a maioria apenas a contemplação e para uma minoria abastada o direito de dizer o que pensam e sonham, mesmo que pensem e sonhem muito mal. O escurinho do cinema vai continuar sendo apenas o ambiente pouco iluminado nas salas de projeção.
Pedem sempre a palavra figuras estereotipadas que parecem personagens e figurantes do musical Hair. Análises e falações enredadas muito mais complexas que os próprios filmes e, não pode deixar de faltar, o choro por falta de verbas e apóio. No meio de toda verborréia, um comentário que me fez acordar do sono que me dominava. Alguém (do filme Hair) disse entusiasticamente que com o aparecimento de novas tecnologias e barateamento de muitos equipamentos, todos poderiam fazer cinema. O comentário pareceu agradar e nenhuma voz ou movimento que parecesse destoar de tão generosa observação. Ainda acordava e olhei para todos os lados e para todos. Apesar da pouca luminosidade pude perceber características comuns a todos que ali estavam e ainda meio indolente gritei como um louco: O CINEMA NUNCA FOI PRETO E BRANCO! Assustados, todos que ali estavam retornaram da dimensão de onde estavam e voltaram os olhares para mim. Antes das críticas e questionamentos diante de afirmação tão sui generis e insipiente, completei: SEMPRE FOI BRANCO MESMO!
Depois, completamente acordado, percebi a literal queimação de filme. Parece que todos entenderam o que eu quis dizer, mas isto não estava no roteiro. Estava tão bom com todos ficcionando a realidade. Eu achando o preço do ingresso caro para assistir a um filmizinho no Multiplex e a rapaziada achando massa a socialização da sétima arte. Agora qualquer negro, pobre e que não tem o figurino de Hair pode fazer cinema. Até Spike Lee lá nos “isteites” foi lembrado para justificar a sacanagem. Continuaram as exposições de pontos de vistas para impressionar, mas sem jamais tocar em assuntos nos quais todos tinham sua boa e velha parcela de culpa.
Lembro de um espaço no bairro da Liberdade chamado Arte de Negro. Samba, pagode, percussão era o que rolava e estas foram as únicas artes que achava, na minha adolescência, que eram de negros. Não imaginava os irmãos com uma câmera no lugar de um tambor. O cinema é belo, intrigante e escroto. Deixa para a maioria apenas a contemplação e para uma minoria abastada o direito de dizer o que pensam e sonham, mesmo que pensem e sonhem muito mal. O escurinho do cinema vai continuar sendo apenas o ambiente pouco iluminado nas salas de projeção.


6 Comments:
UHauhUa
Velho Hernane!
Sempre ácido, sempre certeiro!
Que a Ira Negra nunca morra!
Muito Axé Irmão!
A galera é muito hipócrita, pra variar...
Não se esqueça da continuação dos cinco sentidos, estou esperando, viu?
Abraços.
Blogging 101--Web logs go to school
As a middle-school teacher, Clarence Fisher is used to spending some time each evening grading papers and reviewing lesson plans.
work from home
Caralho, meu brother!
Cada dia que passa suas analises estão ficando depuradas como vinhos ou wisks envelhecidos... Dizem os apreciadores que o sabor é imcomparável.
Realmente... Aqui na FTC o que não faltam são iludidos. Porém, tenho encontrado alguns pensamentos que já sinalizam tais mudanças. Poucos mas de muita esperança.
Cel.:
Existem dois paradoxos: os catedráticos que em gestos ensaiados analizam de forma áurea o objeto de arte; no outro lado do papel higiênico, está o coro competentíssimo e sonoro-verborrágico: uhuhuhu!
sinceramente!
Pra contrapor, vou lançar: "Guedes; My Kampf"
ainda esta disponível?
meu e-mail: isaacpassio@yahoo.com.br
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