29.9.05

Informação engorda

Em recente pesquisa oficial a surpresa: o Brasil é o país dos gordinhos. Vai ver que é que por isso que o programa Fome Zero não emplacou - o sucesso deste programa nos empanzinaria. Era papo furado aquela história de linha de pobreza e dos que estavam abaixo dela. Difícil imaginar pessoas com excesso de tecido adiposo e sem ter um osso pra roer. Os famintos são mitos.

Precisamos queimar as calorias a mais que as pesquisas nos deram. Aliás, nós somos aquilo que as pesquisas e os números do governo determinam. O dinheiro já não sobra no final do mês, mas a cesta básica está ficando mais barata e o PIB aumentou; ando com a cabeça a mil e o bolso zero, mas a qualidade de vida aumentou no Brasil. Se esta lógica funcionar sempre vou torcer por dados cada vez mais negativos no Ibope e vê se o negócio melhora pro lado de cá.

Nós, obesos e ociosos, somos culpados pelo excesso de peso e de juros. Segundo o nosso ingênuo presidente, não levantamos o nosso gordo traseiro à procura de juros mais baixos e pagamos caro pelo nosso sedentarismo financeiro. Correr atrás de juros baixos nos faria verdadeiros atletas.

Portanto, façamos dieta, sobretudo dieta de informações. Estou começando a acreditar que são as informações e os dados que nos engordam. Estamos todos de saco cheio (e isto pesa) de tantas notícias de corrupção e roubalheira. E com tantos jornalistas e especialistas falando que tudo vai acabar em pizza, como é que não engorda? Massa não é brincadeira. Outra coisa: tudo que a imprensa fala todo mundo engole. Lembro de um tempo em que ninguém comia nada...

Tenha muito cuidado com as informações. Feche os ouvidos e os olhos por mais tempo. Ficar só ouvindo, lendo e assistindo é sedentarismo e engorda. Abrir a boca e botar tudo pra fora ajuda. Faça exercícios escrevendo e produzindo. Se não dermos tanta atenção ao que estão dizendo e escrevendo por aí, talvez parem de tentar acrescentar vários quilos a mais no nosso corpo, bolso e consciência.

28.9.05

Mesmo sem saber...

Era pra ser só um comentário a respeito do primeiro post, mas...

"É bom fazer
Mesmo que não seja o perfeito
Repensar
Idéia que se fecha num ponto
E crucifica-se ascendendo

Bom ouvir
Som que inspira

Azuis que relaxam
Letra suave e curta
Como rasante de andorinha..."

Essa é a Laurinha, da gênese do faminto, mandando ver.

27.9.05

Com ou sem anestesia?

Suas finanças estão na U.T.I. e você também já está quase lá. Então é hora de recorrer aos planos de saúde financeiros e tentar uma ressuscitação imediata. Com a pressão nas alturas, você vai se tratar com os bancos ou agiotas. Estes profissionais indicam imediatamente o tratamento: empréstimo. De acordo com quem você faça, os métodos serão diferentes.

Se fizer o tratamento com o banco, este aplicará anestesia e, portanto você não vai sentir dor imediatamente. Só no próximo mês, quando o efeito anestésico tiver passado e os efeitos aparecerem no contra-cheque, é que você vai sentir mensalmente uma pontada no coração. A dor vai diminuindo só no final de 12, 24 ou 36 meses quando o tratamento vai chegando ao fim.

Com os agiotas a coisa é meio na marra. Sem anestesia mesmo. Na hora dói que não é brincadeira. A vantagem é que não tem burocracia e você não precisa preencher dezenas de fichas, dar centenas de assinaturas e esperar aprovação enquanto seu bolso agoniza. O remédio é dado na hora e suas finanças recebem alta no mesmo dia. O pior efeito colateral deste método é que todo mês você tem que se consultar com o agiota e pagar cerca de 20% do valor total do tratamento.

De uma coisa você não pode reclamar de seu salário: obesidade. Parece até que ele fez dieta e lipoaspiração. Tá magrinho, estilo Bündchen.

26.9.05

Começar de novo...

Por que estou fazendo isto? Não sei. Vou fazer mesmo sem saber.